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Sobre o Mestre Molina



Dar vida aos bonecos, a arte de Mestre Molina

O rosto afilado e os cabelos ralos só aproximam o Mestre Molina de seu companheiro de ofício na ficção: Gepeto. Se um boneco narigudo foi o suficiente para o personagem, Mestre Molina prefere criar ambientes inteiros - uma serralheria, uma construção, crianças brincando num parque de diversões, a Via Crucis. Uma complexa rede de fios e engrenagens dão vida e movimento às cenas, muito apropriadamente batizadas de geringonças. Desde sábado o Sesc Pompéia está mostrando 25 geringonças e mais vários bonecos de Molina.

Manuel Molina nasceu numa fazenda em Bocaina, interior paulista, em 1919. Não poderia ter deixado de trabalhar na terra. Mas também foi tecelão, mineiro, estivador, aprendiz de alfaiate, feirante, levantou algum em restaurantes e na construção civil. Fez violinos e fogos de artifício. Há 19 anos descobriu sua paixão pelos bonecos.

As engenhocas de Molina reproduzem momentos do cotidiano, seja no trabalho, seja no lazer.

Com o movimento, as cores, colocadas estrategicamente aqui e ali, dançam. Algumas cenas são hollywoodianas - a Paixão de Cristo tem 500 bonecos, 400 dos quais se movem. Uma tecelagem, onde uma fileira de fiadores se segue a outra, todos trabalhando em teares presos a carretéis suspensos, também impressiona.

Ao contrário de outros artesãos ligados a temas do campo, do folclore, Manuel Molina faz com suas geringonças retratos de um cotidiano mais próximo do público paulistano. Quem nunca visitou um bar, uma fábrica, um carrossel, não tem sua vida fortemente ligada a um desses ambientes? É uma boa razão para não deixar as geringonças de Molina girando sozinhas.