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I Encontro
de 28 abril a 1º de maio

Palestra de Mary Strokrocki
da Universidade Estadual do Arizona / EUA

Avaliação Auxiliada por Vídeo

O principal propósito deste estudo foi avaliar um programa de arte, que fosse modelo para a formação de professores, usando técnicas de observação participante. Nossas equipes examinaram resultados de como quatro professores de arte, em diversos contextos, adaptaram seu ensino usando um vídeo no qual havia um professor master (perito) atuando. O projeto ajudou professores a atingir duas metas do "Goals 2000": Tratar de arte e herança cultural, e formar elos entre as artes visuais e outras disciplinas. O projeto também ajudou os professores a avaliarem seu ensino, bem como as conquistas de seus alunos. E finalmente, ofereceu aos estudantes estratégias para que avaliassem seus próprios trabalhos e de outros.

Quais Foram os Grupos-Alvo?

Uma classe cursando a "Middle School" (o que equivaleria ao nosso antigo ginásio) de cada uma das quatro seguintes escolas do Arizona e seus professores, em diferentes contextos culturais:

a) Fees Intermediate School, em Tempe, tendo o professor Larry Woodson como professor de arte líder. Muitos estudantes desta escola são nativos de origem indígena, descendentes dos índios Yaqui.

b) Creighton Middle School, em Phoenix, cuja professora de arte era Barbara Weeks. Em Creighton, 68% dos alunos são de origem hispânica e muitos deles são bilíngues.

c) Tavan Elementary School, em Scottsdale, com a professora de arte Darlene Ritter. A escola tem muitos alunos bilíngues.

d) Gila Bend Elementary School (uma das escolas mais pobres do estado), a professora de arte é Joyce Batchelor. Muitos alunos são nativos de origem indígena descendentes da etnia Tohono O’odham.

A Concepção da Pesquisa

Avaliação é um processo de obtenção de informações sobre algo, e de atribuição de um valor para este. Em avaliação qualitativa, os valores atribuídos provêm de um estudo. O objetivo é tornar melhor a prática educativa. Observação participante quer dizer aprender com os povos mais do que simplesmente estudá-los. A pesquisa se desdobrou em três estágios: coleta de dados, análise do conteúdo e análise comparativa. Coleta de dados é um processo de reunir informações. Neste caso, através de questionários aplicados no início e fim do estudo, de observação participante, de críticas dos estudantes sobre seu próprio trabalho, de entrevistas informais e de análise de vídeos e fotografias. A análise de conteúdo é um exame mais minucioso dos padrões mais freqüentes encontrados nas informações transcritas. Os padrões incluíram conteúdo artístico, ensino e o retorno partindo dos estudantes. A análise comparativa é a inter-relação dos achados sobre diferentes comunidades (rural, suburbana e, neste caso, urbana), e destes achados com informações adquiridas ao rever-se a literatura.

O Período do Estudo

O período desta pesquisa incluiu: agosto a dezembro de 1996, quando houve a produção e teste do vídeo educativo; janeiro a maio de 1997, quando ocorreu a aplicação nas quatro instituições já mencionadas; e maio a julho de 1997, quando foram feitas as análises e a redação dos relatórios.

Estratégias Usadas para Estudo das Questões

Estudantes de nível superior analisaram os questionários, contando e relacionando os resultados em spreadsheets, transcrevendo trechos de vídeos de crítica de arte e tabulando as respostas também em spreadsheets. Procurei padrões de ensino recorrentes nas gravações em vídeo, e ofereci insights, oportunidades para os professores participantes discutirem. Os professores reviram os vídeos. Os estudantes documentaram o trabalho dos professores, alunos entrevistaram alunos e também ofereceram insights. O grupo de professores se encontrou duas vezes para discutir resultados e levantar questões, os resultados foram gravados.

O professor Woodson, da Fees Intermediate School, decidiu que preferiria ensinar uma unidade sobre a arquitetura Anasazi à cerâmica, para assim encorajar mais os alunos ao aprendizado em grupo. Decidimos que o vídeo poderia ser usado para ensinar os estudantes diretamente. Todas as reuniões se deram nos fins-de-semana, e foi impossível para os professores terem algum tempo livre.

O Ambiente de Pesquisa

Em geral a experiência foi bem adaptada, apesar de pressionada pelo tempo. Os alunos da Fees visitaram o Jardim Botânico, o Pueblo Grande Museum, e os alunos da Gila Bende visitaram o Painted Rock Museum; ambos preencheram roteiros de trabalho.

Evidências de apoio por parte dos pais puderam ser notadas em suas respostas entusiasmadas. Eles sentiram ter aprendido muito com os estudantes. Os diretores das escolas também deram suporte. Um deles relatou que um programa de artista-residente sobre arquitetura seria oferecido no ano seguinte. Em Tempe, não foi possível que a cidade se comprometesse financeiramente. As primeiras aulas do dia foram documentadas com dificuldade pois eu tinha aulas nas noites anteriores.

Análises

Minhas fotografias coloridas, que mostravam os alunos em ação, foram reveladas pelos professores e cópias extras foram dadas às escolas. Os estudantes pontuaram detalhes, como escadas e cúpulas, que queriam fazer. Os professores relataram que nossa atenção aos estudantes realçou sua auto-estima e eles frequentemente perguntaram se as fotos seriam publicadas. Os alunos na "Middle School" aprenderam muito, como indicaram as respostas nos questionários antes e depois do trabalho.

A cultura foi definida como "a maneira de viver de diferentes grupos", e a arquitetura como "construir e projetar uma estrutura". Uma professora afirmou que seus alunos hispânicos não puderam responder o teste, nem com a ajuda de um tradutor.

Estudantes da Creighton School criticaram suas apresentações finais em espanhol, com muitas idéias perspicazes. O professor da Fees Intermediate School disse que este curso optativo era muito popular e que tinha constante atenção dos alunos. Alguns professores relataram que os alunos gostavam de trazer coisas (como bijuterias) para suas "tribos", e deram nomes à elas como "Bears" ou "Clay Terminators" (respectivamente "Ursos" e "Delimitadores de argila"). Na Creighton School, os alunos fizeram em grupo suas próprias interpretações com pastel oleoso e um mural de animais.

Os professores deram muito apoio a este projeto e também uns aos outros. Eles se sentiram inseguros sobre o que se esperava e por terem precisado de mais tempo para "digerir" o material didático. Outros professores resmungaram porque o departamento de artes usava freqüentemente o aparelho de vídeo.

Os alunos de nível superior indicaram no projeto um desafio, e compararam seu próprio ensino com o por eles observado. Uma universitária observou estudantes hispânicos e afirmou que eles preferiam trabalhar uns com os outros. Ela relatou que a compreensão de inglês deles era baixa e disse "refleti sobre o quanto posso melhorar meu ensino e como ele deveria ser diferente".

Esta pesquisa é importante para o ensino de arte pois constrói parcerias entre instituições e coloca pesquisadores dentro das salas de aula. Cria uma rede de trocas entre professores da "Middle School", que é por vezes ignorada, e dá poder aos professores para compartilharem idéias e adaptarem recursos. Todos os professores interpretaram idéias para seus próprios alunos e contextos.

O Que Deu Certo?

Os professores responderam positivamente à apresentação do vídeo e freqüentemente comentaram que ele era de boa qualidade e agradava as crianças. Gostaram ainda do fundo musical, e comentaram que o professor no vídeo também agradou os estudantes. Vários professores mencionaram que os alunos gostaram de usar argila, e que alguns deles, apesar de terem dificuldades, trabalharam com afinco para completar sua estrutura. Ao estudar a natureza dos padrões do trabalho em equipe, constatei que havia grupos mais "intelectuais", e que organizavam suas idéias cuidadosamente. Outros trabalhavam mais intuitivamente. Um grupo de meninos ariscos trabalhou esquematicamente e construiu sua estrutura em 15 minutos!

Em uma das escolas, descobrimos uma estrutura hierárquica no trabalho em equipe. Mais especificamente, ocorria que meninos brancos planejavam a casa e os alunos mexicanos-americanos, acabavam por construí-la. Entretanto, alguns mexicanos gostaram também de fazer pequenos suportes que encantaram os outros integrantes da classe. Segundo um estudante universitário, "foram estas coisas que fizeram o sucesso do projeto". Um outro professor ainda declarou que a atividade de fazer estes "suportes" permitiu a cooperação entre todo o grupo.

Estudantes de todas as instituições prepararam, praticaram e fizeram a apresentação final com sucesso. A documentação em vídeo bem como em fotografias adicionaram às apresentações uma sensação de profissionalismo. Os alunos relataram que aprenderam a cooperar, negociar e respeitar uns aos outros. Aprenderam também que as culturas antigas do sudoeste dos Estados Unidos tiveram que cooperar para desenvolverem suas moradias e sistema de canais. Um grupo relatou que entendeu "como deve ter sido difícil para os índios Anasazi trabalhar juntos, porque foi difícil para nós". Quando os projetos não davam certo, os alunos aprendiam o motivo, e isso foi importante.

Durante as seis semanas, os estudantes ficaram preocupados porque seu tempo estava acabando, e reclamaram com os professores porque falavam demais! Um dos professores se recusou a ajudar um aluno alegando que já tinha fornecido todas as informações de que necessitavam. Fiquei frustrada por não ter o tempo suficiente, e reduzi a duração das lições sobre crítica de arte para 15 minutos, enfocando mais as questões sobre construção.

Houve problemas na continuidade devido a muitas interrupções, e outras idas a campo para estudo de caso.

Logo no princípio esclareci alguns mal-entendidos, ao lembrar os professores de que os Anasazi não chamavam arquitetura de "arte", como fazemos hoje.

Durante as primeiras discussões sobre crítica, os estudantes enfatizaram a natureza funcional da arquitetura. Nesta unidade, o trabalho em ateliê predominou. A História da Arte recebeu atenção secundária. No começo da unidade formei e conduzi uma discussão sobre crítica de arte. Estética teve apenas alguns minutos nesta discussão.

Questões Sobre Ensino

Os métodos de ensino variaram. Os professores sentiram que alunos quiseram que trabalhassem por eles, enquanto outros quiseram ser entretidos. Outros ainda precisaram de instruções passo-a-passo.

Concluíram que alunos de "Middle School" responderam melhor às atividades "mão-na-massa", tais como fazer estruturas de argila. A maioria precisou de mais conhecimento sobre o sudeste e seus povos.

Algumas palavras culturais se tornaram problemáticas. Alertei aos professores que não usassem as palavras "supersticioso" ou "culto". Muitos povos são muito sensíveis quando se trata de suas crenças religiosas ou coisas mortas. Para a maioria dos nativos de origem indígena, a palavra "primitivo" denota inferioridade. Então encorajei os professores a usarem a palavra "indígena". Cultura é uma batalha de modos de pensar, acreditar e valorizar.

Efeitos do Nosso Trabalho em Equipe

Todos os membros deste grupo aprenderam muito uns com os outros sobre os antigos Anasazi e Hohokam. Nos tornamos mais organizados na medida em que trocamos e averiguamos as informações entre nós, e nos oferecemos diferentes maneiras de fazer as coisas. Os membros do grupo realmente gostaram de se encontrar e comparar resultados. Os professores mencionaram que as discussões em mesa redonda, nas quais comparavam os diferentes estilos de ensinar, ajudaram. E fizeram planos de visitarem cada um a escola do outro no futuro.


Leia a íntegra das palestras:

























































































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