![]() |
|
|
| IV Encontro Leituras de obras de arte e discussão acerca do lugar da apreciação na sala de aula de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de 28 a 31 de julho Palestras de:
Herdeiro do desenvolvimento técnico que possibilitou variedades de pesquisas e experiências nas artes desde o século 19 (por exemplo os trabalhos de Van Gogh que demonstram uma percepção da realidade deformada e ativada pelo artista ou as pesquisas dos impressionistas que conduzem a pintura pela pura visualidade) e desenvolvimento dos meios de reprodução das formas (litografia, fotografia, cinema, televisão), o século 20 emerge como o século e domínio da imagem. Vivemos hoje um período que se caracteriza pelas mudanças dos meios tradicionais de produção e representação da imagem, tais como a pintura e a escultura, e o surgimento de uma multiplicidade de outros sistemas, em novos suportes e espaços. As imagens deixaram de pertencer unicamente aos espaços dos palácios, museus, igrejas, sedes administrativas ou residências dos poderosos e ganharam outros, tais como as áreas públicas, as praças, as ruas, as casas, os ambientes e objetos particulares de cada pessoa. Os novos locais de apresentação da imagem misturam-se inclusive com os meios de comunicação, que tanto a divulgam quanto a intermediam com outras linguagens, como sucede com os jornais, as revistas, os livros, a televisão, o cinema, a computação. Assim como a fotografia facilitou novas apreensões da forma e de suas apresentações, além da extensão e domínio pela maioria das pessoas, apareceram outras modalidades de articulação de códigos visuais que se estenderam, entre outras, para as artes gráficas e audiovisuais. A pintura, a escultura, a arquitetura, o design, a publicidade, o out-door, por exemplo, atuam diretamente na experiência sensível de cada um de nós. No entanto, cada uma dessas modalidades revela-se diferentemente no âmbito visual e na recepção do espectador, que precisa aprender a decodificar e articular os novos códigos. Para conhecermos bem as produções visuais, agora não basta apenas saber de sua existência, mas principalmente entender que são manifestações com significados, saber como são elaboradas, com que fim, através de quais regras e conceitos. Como conseqüência, a questão principal da arte passa a ser a decodificação das imagens e o estabelecimento de uma pedagogia crítica com base na percepção estética. A concepção de maior participação do observador frente a obra artística, fundamentada na percepção estética, vem se construindo através das ações de artistas cujas criações têm aberto novos caminhos para a arte e para seus fruidores. Com suas pesquisas, artistas contemporâneos procuram ampliar a extensão sensível do ser humano, buscar novas formas de expressão ou criar suas obras em espaços sugestivos e até virtuais. Desde Marcel Duchamp e Man Ray, por exemplo, a pesquisa com a imagem fotográfica, aliada a construções artísticas, vem se definindo cada vez mais e firmando conceitos estéticos com liberdade e experimentação e técnica. Os trabalhos de Vasarely, de Moholy Nagy e de outros que trataram das construções cinéticas (desde a década de 60), de experiências com a televisão, elaborações computacionais, instalações, etc., mostram uma grande preocupação com o olhar humano, de tal sorte que a imaginação do fruidor possa complementar as sugestões propostas. Explorando os meios tradicionais ou com recursos da multimídia, os artistas constroem e desconstroem imagens que se multiplicam, condensam, expandem, criando infinitas possibilidades de questionamentos e caminhos da arte contemporânea. Por isso, tem-se hoje, como indicação para desenvolver-se um processo educativo de preparação dos indivíduos, as atividades e estudos que permitam a ampliação das suas percepções (no caso de visualidade), para que possam se conduzir criticamente na construção dos conhecimentos advindos dessas e outras experiências. Entretanto, para compreender uma obra de arte não basta apenas o olhar instantâneo, como diz P. Francastel em seu livro Imagem, Visão e Imaginação. É necessário ultrapassar este olhar, que é o primeiro contato para desvendar-se a forma e, nas suas palavras, pode até se constituir em um "alerta para a mente" e orientar as investigações iniciais. Para este autor, a imagem estética não se liga apenas à instantaneidade, ao contrário, constitui-se sempre como uma associação aos fatos e conhecimentos já existentes e que resultam em processos interpretativos. Ou seja, a imagem tem sempre um grau de associação em que o espectador colhe os seus significados com base em suas experiências pessoais e na cultura. A experiência perceptiva visual é pois um passo preliminar. Fundamentada na percepção, a nossa experiência com a obra de arte tem um caráter progressivo e pode ser alterada, dependendo do ponto de vista, do tempo que dedicamos a observá-la, do conhecimento de certas categorias que a compõem, da qualidade do material (se for reprodução). A medida que observamos uma pintura ou uma instalação, por exemplo, percebemos alguns de seus elementos, suas relações, etc. Mas, se retomarmos o contato com essa obra poderemos ampliar o conhecimento iniciado, tornando-nos mais conscientes de sua natureza e existência. Esta consciência ampliada pela familiaridade com o objeto artístico é um fator de enriquecimento progressivo e, por isso, favorável à sua compreensão. O segundo momento que encaminha a leitura da obra de arte refere-se à problemática de sua produção criadora. São as escolhas imaginativas, de materiais, de técnicas e de linguagem que ocorrem e se modificam ao longo do processo de criação, e que o artista ou a artista concretiza em suas produções. Por exemplo, a organização das formas, dos volumes, das cores, está ligada diretamente ao imaginário e é precisamente este o ponto de encontro entre o artista e o observador. Assim, decifrar, compreeder a obra de arte é conhecer em extensão o processo criador, tanto sob aspecto das formas resultantes, como também de sua materialidade. Para integrar os dois passos, o da percepção estética e o criador, mobilizam-se ações que possam encaminhar a análise e interpretação de conteúdos e formas expressas nas obras. No entanto, uma obra de arte independe de um sentido único ou restrito, ou melhor, uma obra de arte pode não ser dizível ou responder às indagações de seu observador, mas terá sempre um âmbito de significação particular e, por isso, possível de uma participação mais ampla. |
Leia a íntegra das palestras:
|
|
_____________________________________
Dúvidas e sugestões: webmaster@sescsp.com.br