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Rem Koolhaas

Rem Koolhaas é um dos mais radicais criadores de arquitetura para a era da globalização, concebida para grandes escalas. Ele veio a São Paulo, a convite do Arte/Cidade e do Sesc -SP para participar do ciclo Intervenções em Megacidades, dia 15 de maio, no Sesc Belenzinho, em São Paulo.
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Koolhaas opera com as idéias de "cidade genérica" (manchas urbanas sem qualidades específicas) e de "bigness" (tamanho desproporcional das maiores cidades do mundo) como uma beleza particular das metrópoles. Suas exposições, como na Documenta de Kassel (1997), consistem em gráficos, estatísticas e imagens que enfatizam estas características metropolitanas: a cidade genérica é sem história, superficial, amorfa, incoerente e congestionada, refratária a todo esforço de planificação.

Os gigantescos projetos de Koolhaas contrariam, por sua própria enormidade, as concepções tradicionais de exterior e interior. Escapam à percepção formal. Escalas que implicam em incomensurabilidade. A arquitetura diante do que não tem limites, do imensamente grande. Essa é, para ele, a forma mais acabada de arquitetura. O tamanho do edifício passa a determinar o programa. Uma escala que desencoraja visões que pretendam abarcar tudo: essa massa não pode mais ser controlada por um único gesto arquitetural. O resultado são megaestruturas que questionam o status de construções específicas.

A partir de certa escala, a arquitetura adquire as propriedades da grandeza. Depois de um certo ponto, a escala supera o que pode estar contido nos padrões clássicos de organização, alterando a própria natureza da arquitetura. A grandeza (bigness) anuncia uma paisagem pós-arquitetônica, formada pelos eventos em cadeia do urbanismo.

Os projetos para o Terminal Marítimo de Zeebrugge (Bélgica) e para a Biblioteca Nacional de Paris (França), de 1989, já indicavam a direção no sentido de situações urbanas complexas, envolvendo interseções de dispositivos de transporte em alta velocidade e mega-estruturas de serviçoes e estadia (Euralille, França, 1994), áreas de congestão e dissolução do traçado urbano num tecido genérico.

Atlanta, Singapura e Yokohama são entendidas como paisagem, uma justaposição ao acaso de partes desconexas. Arquitetura convulsiva que se espalha infinitamente, incontrolável, não mais comprometida com a criação de ordem e coerência. A urbanização pervasiva transformou a própria condição urbana.

Se um novo urbanismo é possível, diz Koolhaas, não se tratará mais da disposição de objetos mais ou menos permanentes, mas da irrigação de territórios. Ele não buscará mais configurações estáveis, mas a criação de campos que acomodem processos que resistam a ser cristalizados em formas definitivas. Não a imposição de limites, mas a supressão de fronteiras. Não a identificação de elementos, mas a descoberta de híbridos. Não mais obcecado com a cidade, mas com a manipulação da infraestrutura para infinitas intensificações e diversificações, curtos-circuitos e redistribuições _ a reinvenção do espaço urbano.

Nelson Brissac Peixoto

Apresentação


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