| A obra de Ricardo Ribenboim trata as grandes metrópoles
como agentes aglutinadoras de signos, codificados por uma ideologia mercantil e
tecnológica. O artista recria zonas de densidade que se opõem à dispersão gerada pelo
fenômeno urbano. Centrífuga, totemizada, monumental, a instalação "Agulha"
foi concebida para percorrer diferentes lugares; como se fosse tentáculo irradiador da
estratificação da sua história, em busca de um lugar na cidade e no mundo, querendo-se
ao mesmo tempo sem lugar. Parodoxal. Daí seu percurso, seu deslocamento, seu diálogo com
cada lugar em que passa. Em Genebra, o ato de enterrar a "Agulha" remete ao
fechamento da identidade; persegue o rastro de um poder arcaico, reage ao encadeamento das
coisas; remete à idéia da morte resistindo ao seu caráter irreal e fantasmático num
ato metafórico, Proustiano, em busca da pureza perdida. "Agulha"
contaminada, "Agulha" contagiante, estrategicamente colocada no Parque da
Organização Mundial da Saúde, em Genebra. Em São Paulo, fincada numa parede, a
"Agulha" se multiplica em cinco peças e com fios anexados numa linha que remete
ao trançado de tecidos, à costura propriamente dita, aos restos de panos retirados das
ruas, prováveis rastros de mendigos ou retalhos do passado do artista; remete ainda ao
cerzido de meias que abrigaram pés que se deslocaram por muitos quilômetros. Nos faz
lembrar de Suassuna em "O Pagador de Promessas", outra linha, por exemplo, feita
de gravatas aludindo às costuras políticas |