VoltaRICARDO RIBENBOIM
 
Biografia
Nasceu em 1953
Vive e trabalha em São Paulo
A obra de Ricardo Ribenboim trata as grandes metrópoles como agentes aglutinadoras de signos, codificados por uma ideologia mercantil e tecnológica. O artista recria zonas de densidade que se opõem à dispersão gerada pelo fenômeno urbano. Centrífuga, totemizada, monumental, a instalação "Agulha" foi concebida para percorrer diferentes lugares; como se fosse tentáculo irradiador da estratificação da sua história, em busca de um lugar na cidade e no mundo, querendo-se ao mesmo tempo sem lugar. Parodoxal. Daí seu percurso, seu deslocamento, seu diálogo com cada lugar em que passa. Em Genebra, o ato de enterrar a "Agulha" remete ao fechamento da identidade; persegue o rastro de um poder arcaico, reage ao encadeamento das coisas; remete à idéia da morte resistindo ao seu caráter irreal e fantasmático num ato metafórico, Proustiano, em busca da pureza perdida. "Agulha" contaminada, "Agulha" contagiante, estrategicamente colocada no Parque da Organização Mundial da Saúde, em Genebra. Em São Paulo, fincada numa parede, a "Agulha" se multiplica em cinco peças e com fios anexados numa linha que remete ao trançado de tecidos, à costura propriamente dita, aos restos de panos retirados das ruas, prováveis rastros de mendigos ou retalhos do passado do artista; remete ainda ao cerzido de meias que abrigaram pés que se deslocaram por muitos quilômetros. Nos faz lembrar de Suassuna em "O Pagador de Promessas", outra linha, por exemplo, feita de gravatas aludindo às costuras políticas