Depoimento
 
   
 Hans Otto Taube
  
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IDENTIFICAÇÃO
Meu nome é Hans Otto Taube, nasci na Alemanha na cidade de Braunscheweig, em 15 de fevereiro de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial.

FAMÍLIA
O meu pai, chamava-se Gustav Taube e minha mãe Stefania Taube.

IMIGRAÇÃO
Vim para o Brasil em 1949, com sete anos.
Meu pai era nascido em 1900. Viu a Primeira Guerra Mundial, a guerra [dos anos de] de 14 a 18, e depois a Segunda Guerra Mundial, de 39 a 45. E quando terminou a guerra... Então, na verdade, tem quatro anos na Primeira Guerra e mais seis anos da Segunda, são dez anos somente em guerra, então ele tomou a decisão: "Vou deixar esse continente, vou pra outro continente onde haja um pouco de paz".
Nós viemos pro Brasil motivados, fugindo da guerra, mas na verdade, no primeiro momento, nós íamos para o Canadá, porque o irmão do meu pai vivia no Canadá. Então, ele disse: "Vamos para o Canadá". Meu tio estava lá. Porém, quando nós apresentamos toda a documentação no consulado canadense, as imigrações foram fechadas e nós não pudemos ir para o Canadá. Aí, a segunda opção, por influências de amigos do meu pai, ele escolheu a Austrália. Então nós preparamos toda a documentação, inclusive passaporte e tudo, estava pronto pra ir pra Austrália, quando a imigração australiana foi fechada novamente. E já um tanto quanto irritado, ele chegou um dia em casa, abriu o mapa do mundo e olhou assim, falou: "O Canadá está aqui em cima, o que está aqui embaixo? Aqui embaixo está o Brasil, vamos fazer uma tentativa de ir ao Brasil, depois a gente sobe por terra até o Canadá". Essa foi a forma que nós chegamos ao Brasil. No dia seguinte, ele foi ao consulado brasileiro, se apresentou e falou: "Olha, eu sou engenheiro de estrada, consultor de estradas, existe alguma possibilidade de imigração para o Brasil?". "O senhor, o que o senhor é?" Ele disse: "Sou construtor de estradas". "Nossa, nós temos N empresas procurando profissionais, está sendo construída a maior estrada que liga São Paulo ao Rio de Janeiro, o senhor tem interesse?". Ele falou: "Tenho". "Então, apresenta amanhã os documentos que nós vamos encaminhar". Em duas semanas, estávamos embarcando pro Brasil, num navio de bandeira americana, General Macrae, e assim nós chegamos ao Brasil e estamos até hoje.
Primeiro, de avião, fomos para a ilha das Flores, no Rio de Janeiro. Ficamos quarenta dias em quarentena na ilha das Flores, e daí ele veio pra Taubaté, porque a empresa chamada TH Marim de Andrade era responsável pelo trecho de Jacareí até Cruzeiro, então aí ele veio pra Taubaté. Depois ele seguiu aqui, arrumou uma casa e tudo mais, ficou a pessoa responsável pelo trecho de Jacareí até Cruzeiro.

SEGUNDA GUERRA
Eu nasci em 1942, mas me lembro da Segunda Guerra Mundial, do fim da Segunda Guerra Mundial. Eu acho que o momento é tão dramático. Eu lembro que a minha mãe saía com o carrinho de casa, quando ela acabava de sair e foi fechar a porta, terminava de fechar a porta, bombardearam a nossa casa. Com três anos de idade, eu tenho vivo isso na lembrança.
Tenho três irmãos. Todos mais velhos, são falecidos. O último faleceu agora, faz dez dias, o mais velhos de todos. Eles eram de 29, 30 e 31 - eu fui o temporão, vim em 42, em plena Segunda Guerra Mundial.

IMIGRAÇÃO
A viagem para o Brasil foi um encanto, porque um navio de bandeira americana, com os americanos, na época, deram todo o apoio. Nós fomos de trem da Alemanha para a Itália e embarcamos no porto de Nápoles com todo o conforto. Quer dizer, a viagem foi realmente um espetáculo e eles estruturaram a tripulação do navio, pra estabelecer uma certa ordem, então os próprios passageiros eram fiscalizadores. Eu lembro bem que minha mãe recebeu uma insígnia porque ela era fiscalizadora lá da ordem, pra evitar os jogos. Era uma alimentação excelente, pelo governo americano, e assim duas semanas depois nós já estávamos em ilha das Flores.
Não sabíamos nada. A única informação que nós tínhamos era do cônsul brasileiro, que eu não me lembro o nome, mas me lembro do fato, porque meus pais é que contavam isso: depois de eles terem preparado a documentação pra vir pro Brasil, aí o cônsul brasileiro falou pra eles o seguinte: "Olha, vocês não precisam levar nada de roupa quente, aqueles agasalhos de frio, vocês podem dispor tudo, os acolchoados também, que lá no Brasil vocês podem dormir de baixo de uma palmeira, faz tanto calor. Agora, se preparem porque lá não tem, determinado alimento vocês não vão encontrar no Brasil, tem muitos macacos, e tem isso, tem aquilo, tem muita banana". Então, foi essa lembrança que eu tenho transmitida pelos meus pais. Você vê como é que o Brasil era relatado em 1949.