Baden Powell de Aquino nasceu em Varre-Sai, no Norte fluminense, em 6 de agosto de 1937. Seu pai, Lilo de Aquino, militante do escotismo, deu-lhe o nome do general britânico fundador do movimento.
Ainda em 1937, a família - Seu Lilo, Dona Adelina, Baden e a irmã, Vera (o irmão mais velho, Jackson, já havia morrido) - mudou-se para o Rio, indo morar primeiro em Vila Isabel, depois na Saúde e logo em São Cristóvão, onde Baden Powell passou toda a infância e a adolescência.
Aos 8 anos, foi estudar violão com Jaime Florence, o Meira dos regionais de Benedito Lacerda e Canhoto. Na Escola Nacional de Música, estudou teoria musical, harmonia e composição.
Aos 10 anos, havia vencido o programa Papel Carbono, de Renato Murce, porta de entrada para o rádio. Aos 15, munido de uma autorização do Juizado de Menores, era músico profissional.
Em 1962, conhece Vinícius de Moraes, com quem formaria uma das mais importantes parcerias da música popular brasileira (outro parceiro fundamental seria Paulo César Pinheiro, co-autor de Lapinha, a música vencedora da I Bienal do Samba, em 1969).
Naquele ano de 1962, Baden iria pela primeira vez à Europa, onde se tornaria o artista brasileiro de maior prestígio e chegaria a permanecer, às vezes, até cinco anos, apresentando-se e gravando em vários países. Baden Powell, hoje, costuma apresentar-se e gravar com os filhos, Philippe e Louis-Marcel.
Concedeu esta entrevista ao programa Ensaio, da TV Cultura de São Paulo, em 1990, aos 53 anos.

Moacyr Andrade
ENSAIO
1990

Voltei,
A lembrança pedia para eu voltar
A saudade mandava me chamar
E quando bate a saudade
Eu retorno de onde estiver
Voltei,
Hoje é dia de eu me desabafar
Hoje a noite foi feita pra cantar
Pois é, vamos rememorar
A beleza de um samba qualquer
É, quanto tempo já passou
Quanta vida já correu
Quanta mágoa já rolou e rolou.
Mulher
É, quanto vento já soprou
Quanto orvalho já desceu
Mas voltei para os braços teus
Se Deus quiser, voltei
Hoje a lua não vai me abandonar
Hoje a rua vai ter que se enfeitar
Quero ouvir meu portão bater
Quero ver minha casa encher
Como há tempos já não se faz
Quero um copo que eu vou beber
E quando o dia amanhecer
Eu quero adormecer em paz
Quero um copo que eu vou beber
E quando o dia amanhecer
Eu quero adormecer em paz
Voltei.
Voltei, Baden Powell/Paulo César Pinheiro. Copyright 1986 by EDIÇÕES MUSICAIS CORDILHEIRAS LTDA. (EMI).

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Eu nasci numa cidadezinha pequenininha, lá no interior do Estado do Rio de Janeiro, divisa com o Espírito Santo e Minas, chamada Varre-Sai. Varre-Sai tem uma rua só, aí dividiram essa rua em duas partes, a rua que desce e a rua que sobe, porque uma parte desce e outra sobe e vice-versa. Então, tem duas ruas: a rua que desce e a rua que sobe. Mas eu vim para o Rio de Janeiro com três meses de idade e sou carioca. Mas um dia caí na asneira de dizer que era carioca e choveu carta lá em casa: "Não, o Baden é de Varre-Sai". Meu pai me ensinou a amar Varre-Sai, já fui lá algumas vezes e quase não saí mais de lá.