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Ele é
mineiro de Ouro Preto, nascido em 1942, mas muitos o identificam como
baiano, já que sua formação musical ocorreu em Salvador.
Bisneto de um músico de orquestra de câmara, filho de pai
flautista, mãe e irmã pianistas, Djalma Novaes Correa começou
em Belo Horizonte em um dos muitos grupos instrumentais que a bossa nova
espalhou país adentro. Aos 17 anos estava em Salvador, atraído
pela efervescência cultural da capital baiana onde estudou percussão
e composição nos seminários da UFBa (Universidade
Federal da Bahia), freqüentado por figuras que se tornariam seminais
nas futuras mudanças da MPB como o erudito suíço
Walter Smetak, o alemão Hans Joachim Koellreuter (com quem trabalharia
na Sinfônica da Bahia) e mais Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom
Zé e Gal Costa.
Foi para ficar quinze dias e ficou vinte anos. Junto com eles no show
Nós, por Exemplo, de 1964, Djalma engajou-se nas fundações
do ideário tropicalista. Também atuou na área da
música eletrônica participando de festivais, fez trilhas
sonoras para cinema, teatro e em 1970 criou o grupo de música e
dança Baiafro. Com ele excursionou ao exterior e gravou o disco
Salomão - The Dave Pike Set and grupo Baiafro in Bahia.
Em 1975, foi convidado especial dos espetácu-los que o guitarrista
alemão Volker Kriegel e a Mild Maniac Orchestra fizeram no Brasil.
No ano seguinte, reencontrando-se com o grupo baiano, ele participou do
espetáculo Os Doces Bárbaros com Caetano, Gil, Gal
e Maria Bethânia com quem excursionaria à Itália.
Em 1977, viajou com Gil para o Festival de Artes Negras da Nigéria,
gravou Refavela com o compositor e produziu o disco Candomblé,
realizado em torno de pesquisas baianas. No setor, participou ainda de
um gigantesco levantamento do folclore nacional para um projeto que deveria
resultar em 25 discos no final dos 70 para uma gravadora multinacional.
Em 1978, teve lançado na série Música Popular Brasileira
Contemporânea seu magnífico solo Baiafro, em que exercita
os dotes de percussionista que ultrapassa a mera utilização
rítmica dos instrumentos. "Quero levar a cozinha para a sala",
sempre foi a máxima favorita desse estudioso que abandonou a bateria
"porque ela não me oferecia tanta variedade timbrística".
Nesse disco há faixas como Banjilógrafo, Piano de Cuia,
Homenagem a um Índio Conhecido e a suíte Os Quatro
Elementos, em que ele traduz musicalmente o relacionamento das entidades
do culto afro-brasileiro à terra (Oxóssi), água (Oxum),
ar (Iansã) e o fogo (Xangô).
Em 1984, gravou um disco com a Banda Cauim dos guitarristas Celso Mendes
e José Vicente Brisola e em 1995 montou a Banda Mineira de Percussão
para o Festival Internacional de Arte Negra realizado em Belo Horizonte.
Incansável pesquisador, criador original, o bruxo Djalma Correa
expandiu os limites da percussão brasileira. Concedeu esta entrevista
ao programa Ensaio, da TV Cultura, em 1994, aos 52 anos de idade.
Tárik
de Souza
ENSAIO
6/12/1994
Meu nome
é Djalma Novaes Correa, eu nasci em Ouro Preto, Minas Gerais, aquela
terrinha encruada lá no meio das montanhas.
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Ouro Preto pra mim é muito rico de lembranças. Talvez essa
minha corrida pela percussão foi exatamente isso: eu nasci no meio
daquele sonho todo do zé-pereira, do Clube dos Lacaios daquele
tempo. Então, foi uma coisa que acompanhou minha vida, o zé-pereira,
as coisas de Ouro Preto, que é a Semana Santa cheia de sons, matracas,
os guardas romanos com as tochas de fogo batendo os pés naquelas
ruas de Ouro Preto, tudo coisa muito rítmica. Acho que isso me
marcou muito e talvez daí esse meu... eu perseguir a percussão
durante esses anos todos.
***
É... Ouro Preto sempre foi muito rico com essas manifestações
folclóricas. A principal do meu tempo de criança era o zé-pereira,
que eu não encontrei em canto nenhum do Brasil. O zé-pereira
acontecia durante a noite e, durante o dia, eu reunia a minha turma e
a gente fazia o nosso zé-pereira com latas e tudo.
***
O zé-pereira original é aquela coisa... São 50 homens
tocando bombos, são bombos e caixas marciais. Na verdade o zé-pereira
tem duas batidas somente, a batida pra subir e a batida pra descer. Como
Ouro Preto não tinha mais jeito... Então uma batida é
aquela que a gente conhece de carnaval [imita o som] "zé-pereira",
e a batida de subir [imita o som], somente essas duas batidas. Isso então
rolava durante a noite toda, eu dormia com esse som nos ouvidos.
[Música
Instrumental: Xangô]
Xangô, Nonato Luiz.
Copyright by ADDAF.
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É percussão, violão e trompete. Eu inventei esse
trio pra comemorar meu aniversário em Belo Horizonte, foi quando
a gente tocou pela primeira vez, sem nada ensaiado. Então...

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