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Pedro Walde Caetano já estudava piano, aos nove anos de idade, quando se mudou com a família de Bananal, no interior de São Paulo, onde nasceu no primeiro dia de fevereiro de 1911, para o Rio de Janeiro, cidade em que o menino seguiu com os estudos. Começou a compor cedo, como todo estudante de música, mas considerava seu primeiro samba de verdade o Foi Uma Pedra, composto em 1933 e lançado no ano seguinte por ninguém menos do que Sílvio Caldas, que apresentou a música no famoso Programa Casé. No entanto, Sílvio não gravou o samba. Quem faria o registro, em 1940, seria a dupla Joel e Gaúcho. Só que, aí, Pedro Caetano já era famoso. Afinal, em 1938 havia gravado a valsa Caprichos do Destino, de Pedro e Claudinor Cruz, seu parceiro mais constante, um grande sucesso naquele ano. Ainda assim, a música não era sua única ocupação. Pedro Caetano dedicava-se ao comércio. Gravado pelos mais importantes cantores das décadas de 40 e 50 e do início dos anos 60, Pedro Caetano teve no fabuloso Ciro Monteiro seu intérprete mais fiel (Botões de Laranjeira, O Que se Leva Dessa Vida, essa um dos grandes clássicos do cantor, gravada com acompanhamento de Benedito Lacerda e K. Ximbinho), embora algumas de suas composições mais famosas tenham vindo à luz por outras vozes: Sandália de Prata (parceria com Alcyr Pires Vermelho) e Com Pandeiro ou sem Pandeiro (Eu Brinco) foram lançamentos de Francisco Alves; Onde Estão os Tamborins e É com Esse Que Eu Vou surgiram na interpretação dos Quatro Ases e Um Coringa - para citar poucos exemplos célebres. Fez sátiras políticas, brilhou nos carnavais dos anos 50 e 60 - foi um dos classificados para o concurso de músicas de carnaval promovido pela Secretaria de Turismo do Estado da Guanabara, em 1965, com a marcha Todo Mundo Enche, que satirizava a figura de uma tristemente famosa autoridade do trânsito do Rio de Janeiro. Em 1988, Pedro Caetano lançou um livro de memórias: Meio Século de Música Popular Brasileira - O Que eu Fiz, O que eu Vi, em que lembra as parcerias com Walfrido Silva, Noel Rosa, Pixinguinha, além dos citados Claudionor Cruz e Alcyr Pires Vermelho e outros grandes autores. Escreveu mais de 400 músicas mas nunca viveu delas, ou pelo menos não só delas, pois foi, durante toda a vida, até a morte, em 1992, no Rio de Janeiro, comerciante de calçados. Concedeu esta entrevista ao programa MPB Especial, da TV Cultura de São Paulo, em 1973, aos 62 anos. Mauro
Dias É com Esse Que Eu Vou eu fiz em 1948, viajando num trem muito ruim que tinha lá, Vitória-Minas, chamava-se Rede Mineira de Viação, então eles chamavam de "Ruim Mas Vai". Esse trem levou comigo de Vitória a Belo Horizonte tanto como 30 horas. Eu me queixei até ao engenheiro da Vale do Rio Doce que o "Ruim Mas Vai" era uma miséria e ele disse: "Não, agora está muito bom". Naquele tempo o diabo do trem levou 30 horas para me levar de Vitória a Belo Horizonte e eu tive tempo até pra fazer o É com Esse Que Eu Vou. Estava assim meio chateado de tanto viajar e então comecei a pensar no carnaval carioca, comecei a pensar nos blocos na rua e comecei a fazer um samba assim: "É com esse que eu vou", para fazer uma experiência do carnaval. Então, comecei: É
com esse que eu vou Esse samba, eu cheguei no Rio, mostrei para os Quatro Ases e um Coringa, eles ficaram malucos e ganharam o carnaval de 1948 com ele. E o mais interessante não é isso, é que agora, 25 anos depois, certinho, a Elis Regina, por sugestão do seu colega Menescal, gravou o samba e anda aí pelas paradas de sucesso. Quer dizer, 30 anos, 25 anos depois, certinho. *** Eu conheci na Rádio Nacional, quando eles estavam gravando muita música do Humberto Teixeira, aqueles baiões, e do Lauro Maia, um grande compositor do Norte. *** O nome do conjunto? Eu conheci sempre como Quatro Ases e um Coringa mesmo. Os meninos eram admiráveis, todos muito simpáticos, muito educados, era o Agenor, era o Pijuca, era o Perninho, era o José, era o Coringuinha, pequenininho desse tamanho, que batia pandeiro como o diabo. Eu fiz muito boa amizade com eles e gravamos É com Esse Que Eu Vou. Antes do É com Esse Que Eu Vou gravei muita coisa com eles. É com Esse Que Eu Vou veio em 48, mas eu comecei a gravar com eles aquele que você falou agora mesmo, o Samba de Casaca, uma crítica ao samba que estava perdendo terreno para as músicas estrangeiras. Então eu fiz com Walfrido Silva, um compositor já falecido, uma coisa muito engraçada, que eles gravaram. Foi talvez a primeira coisa que eles gravaram. É um negócio mexendo com o swing que invadia o mercado de música no Brasil e boleros etc. Fizemos assim: Ei daddy,
swing chegou *** Nem me lembro mais, foi há tantos anos, nem me lembro quantos. Depois daí eu fui gravando com eles muita coisa engraçada, muito chorinho, até que eles gravaram o É com Esse Que Eu Vou. Não, primeiro foi o Mangueira, Onde Estão os Tamborins?. Aliás, vou lhe contar a história do Mangueira, Onde Estão os Tamborins? com muito gosto. Foi uma das músicas mais inspiradas que eu fiz pra carnaval. Porque eu morava nas proximidades do morro de Mangueira lá no Rio, na rua 8 de Dezembro, que fica muito próxima do morro da Mangueira. Uma noite, muito próximo do carnaval, eu voltava do teatro com a patroa, passamos ali pertinho do morro e estava um silêncio absoluto, não se ouvia um movimento de ensaio e nem coisa nenhuma. Então disse a ela: "Puxa, minha filha, Mangueira que sempre foi a líder do carnaval carioca está completamente morta. O que houve com a Mangueira". Então comecei..., aquilo veio como um lamento de uma pessoa que era fã da Mangueira. |