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Joel de
Almeida, carioca nascido em 1913, foi seminarista e funcionário
da famosa Casa Edison, a gravadora desbravadora, onde se deliciava com
os ensaios dos cantores da época, sob a batuta do maestro José
Francisco de Freitas, o Freitinhas, autor do célebre samba ainda
quase maxixe Dorinha Meu Amor.
Pelas mãos do maestro, chegou a gravar um disco em duo com Breno
Bonifácio, Joel e Breno, mas a dupla que formaria para fazer história
na música popular brasileira seria outra, com Gaúcho, quando
já se iniciara também no chapéu de palha, seguindo
a trilha do pioneiro nesse originalíssimo instrumento de percussão,
o cantor Luís Barbosa. Gaúcho era Francisco de Paula Brandão
Rangel. Os dois se conheceram em fins de 1930. Ambos tinham 17 anos e
Gaúcho era um dos comandados de Getúlio Vargas que amarraram
os cavalos no Obelisco da avenida Rio Branco na revolução
que liquidou a República Velha.
Desmobilizado, ficara no Rio. Juntou-se a Joel e logo a dupla estava no
rádio, crismada pelo locutor César Ladeira como Os Irmãos
Gêmeos da Voz.
Joel e Gaúcho protagonizaram cerca de duas décadas de lançamentos
memoráveis, clássicos imorredouros. São páginas
como Estão Batendo (Gadé e Walfrido Silva); O
Pierrô Apaixonado, a marchinha eterna de Noel Rosa e Heitor
dos Prazeres; Canção para Inglês Ver, tratado
de sátira e non-sense de Lamartine Babo; Aurora,
hino carnavalesco de Mário Lago e Roberto Roberti; Cai, Cai
(Roberto Martins), a batucada (o gênero existia) que impulsionou
a carreira de Carmen Miranda nos Estados Unidos - e muito mais. Quando
a dupla se desfez, Joel de Almeida foi para a Argentina, onde compôs
uma "rumba brasileira", Nasci para Bailar, que fez muito
sucesso lá e aqui. De volta, refez a dupla, por brevíssimo
tempo: Gaúcho já priorizava outras atividades.
Joel, sozinho, gravou sambas antigos com seu chapéu de palha e
o piano de Carolina Cardoso de Meneses. Em 1956, voltou de forma retumbante
ao carnaval, compondo (com Carvalhinho) e gravando a marchinha Quem
Sabe, Sabe, calcada num jingle comercial. Dois anos depois,
liderava novamente a parada carnavalesca, com o samba Madureira Chorou
(parceria com Carvalhinho), em homenagem à vedete e atriz Zaquia
Jorge, que estendera as fronteiras do teatro ao subúrbio e morrera
afogada na Barra da Tijuca, meses antes. O samba obteve êxito absoluto
também no exterior, com o nome da versão francesa: Si
Tu Vais a Rio. Joel ainda emplacaria mais um campeão carnavalesco,
em 1959, a marchinha Vai Ver que É, com a qual Carvalhinho
e um compositor bissexto, o ator Paulo Gracindo, provocavam os travestis.
Decepcionado com a fragilidade da produção musical de carnaval,
passou para o outro lado do disco: foi ser diretor artístico de
uma grande gravadora. Mais tarde, já morando em São Paulo,
comandou programas radiofônicos de grande audiência, engajados
na defesa de nossa melhor música popular.
Moacyr Andrade
MPB ESPECIAL
20/2/1974
Embora o
papo seja música popular brasileira, já damos início
com uma sátira musical muito pitoresca lá da década
de 30, para mostrar a verve do saudoso Lamartine Babo, uma criação
aqui do "Magrinho Elétrico"1,
em disco, já várias vezes gravadas, tendo eu o privilégio
de ser o único que tenho isso em disco. De modo que vamos abrir
o nosso papo com esta sátira musical do nosso querido Lamartine
Babo.
I love you
Forget sclayne
Maine Itapiru
Morguet five underwood
I shell
No bonde Silva Manuel
Manuel, Manuel
I love you
To have steven via Catumby
Independence lá do Paraguay
Studbaker... Jaceguai!
Yes, my glass
Yes, my glass
Salada de alface
Salada de alface
Fly tox my till
Standard oil
Forget not me
Off!
I love you
Abacaxi
uísque...
Off chuchu
Malacacheta; Independence Day
No street flash me estrepei...
Elixir de inhame
Elixir de inhame
Reclame de andaime
Reclame de andaime
Mon Paris, je t'aime
Sorvete de crème
My girl, good night
Oi! double fight
Isto parece uma canção do Oeste
Coisas horríveis
Lá do faroeste
Do "Thomas Meiga"
Com manteiga!...
My sandwich!
Eu nunca fui Paulo Escrich!
Meu nome é Lasky and Claud
John Phillip Canaud
Light and Power
Companhia Limitada...
I! You!
The boy-scout avec
Boi zebu
Lawrence Tibeti com feijão tutu
Trem de cozinha
Não é trem... azul!...
Trem de cozinha
Não é trem... azul!...
Trem de cozinha
Não é trem... azul!...
Canção para Inglês Ver,
Lamartine Babo. Copyright by MANGIONE, FILHOS & CIA. LTDA. Todos os
direitos autorais reservados para todos os países do mundo.
***
A minha história é longa e recordar assim em poucos minutos
é difícil. Em todo caso, eu nasci, como todos sabem, na
Tijuca, e desde garoto, por ter nascido no pé do Salgueiro, na
rua Bom Pastor, eu sentia nas madrugadas aqueles ensaios e o ritmo do
samba eu tinha na alma desde criança. Na praça Sáenz
Peña eu tinha minha turma, onde eu reunia, sempre fazendo minhas
batucadas, já tinha até o meu fã-clube. Mas eu tinha
uma loucura, uma verdadeira vontade de ingressar no ambiente que na ocasião
também iniciava. Andei daqui e dali mais eu desejava, mais apareciam
motivações para despertar o interesse em minha Foi quando
surgiu a primeira gravação, em 29, do famoso Bando dos Tangarás,
a usando instrumento de percussão em disco. De modo que o gravador
não queria quebrava a linha, enfim uma história mais ou
menos já conhecida. Mas o Bando gravaram (sic) e aquilo foi o que
acabou de ferver o meu sangue de sambista.
Na Pavuna
Na Pavuna
Tem um samba que só dá gente reúna
Na Pavuna
Na Pavuna
Tem um samba que só dá gente reúna.
Na Pavuna, Almirante/Candoca
da Anunciação. Copyright by ADDAF.
Nota:
1. Slogan do cantor Joel de Almeida.

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