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Cultura
para o desenvolvimento
O desenvolvimento
social caminha ao lado da democratização da cultura, a qual
deve ser imperativa, eficiente, objetiva e concreta para uma instituição
como o SESC-SP, em que a formação contínua do indivíduo
através do contato com os bens culturais é tida como elemento-chave
no processo de inclusão social. Para o SESC, essa inclusão
dá-se física e intelectualmente no interior de uma rede
criada em 1946 pelos empresários do comércio e serviços,
rede por eles mantida e administrada tendo em vista proporcionar aos trabalhadores
desses setores, assim como a suas famílias, a conquista do bem-estar
social e a melhoria da qualidade de vida.
No âmbito da
política cultural adotada pelo SESC, as manifestações
artísticas de caráter multicultural dialogam entre si, num
ambiente em que a profusão de espetáculos, exposições,
cursos e atividades para os mais diversos públicos e faixas etárias
é abundante. Como um grande mosaico, o panorama de realizações
do SESC concretiza a real possibilidade de conjugar o acesso democrático
à cultura e ao lazer com o atendimento a diferentes públicos,
cujas necessidades e interesses vêem-se refletidos no cotidiano
da instituição.
Essa gama de opções
expressa concretamente o interesse do empresariado do comércio
e serviços em contribuir para a causa coletiva, comprometendo-se
profundamente com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, vislumbrada
na participação social e no exercício da cidadania.
No âmbito das
artes plásticas, a realização da Bienal Naïfs
do Brasil agrega ao SESC o sentido da recriação da tradição
em seu sentido primeiro: o de transmitir valor cultural de uma geração
a outra.
É esse compromisso que, mais uma vez, o empresariado do comércio
e serviços reafirma. O compromisso de impulsionar o desenvolvimento
cultural do país, mola propulsora para o real desenvolvimento social
e econômico.
Abram
Szajman
Presidente do Conselho Regional do SESC de São Paulo

Traços,
cores o retratos de Brasil
A trajetória
do SESC de São Paulo no desenvolvimento de atividades socioculturais
e educativas tem sido amplamente reconhecida pelos trabalhadores do comércio
e serviços, seu público prioritário, bem como pela
sociedade em geral. Esse reconhecimento indica a seriedade e o compromisso
de mais de meio século de trabalho e delimita o território
de ação e o estilo de uma instituição preocupada
não só em atender às demandas específicas
de seu público como também em manter-se sintonizada com
as tendências nacionais e internacionais no campo da criação
artística.
A Bienal
Naïfs do Brasil é, certamente, um espaço privilegiado
de reafirmação da identidade cultural do país, inundado
pela cor intensa, pelo vigor mestiço e pela cultura de um povo
que encontra na simplicidade o caminho para uma preciosa sofisticação.
Cotidiano, religião, natureza, festa e brincadeira transformam-se
em texturas e imagens reveladoras da diversidade criativa do universo
de Joões, Marias, Antônios, Rosas, velhos, crianças.
Pessoas incomuns. Anônimos do Brasil. Inscreveram-se para esta quinta
edição 332 artistas de 19 estados brasileiros, reunindo
um total de 664 obras. Desses, o júri formado por Aline Figueiredo,
Antônio do Nascimento, Katia Canton, Olívio Tavares de Araújo
e Paulo Klein selecionou 87 artistas e 168 obras, observando sobretudo
o caráter inventivo, original e espontâneo que compõe
a arte ingênua. No ano 2000, a Bienal Naïfs do Brasil conta
com a participação especial de 7 artistas convidados e dedica
a Waldomiro de Deus uma sala especial com cerca de 30 quadros. A programação
destaca ainda a realização do Ateliê Aberto de Pintura.
Para
o SESC de São Paulo, os números acima esboçam o potencial
criativo gerado em torno da arte ingênua, que se estende pelas entranhas
do Brasil através do olhar, do traço, da forma e da cor
em registros e retratos transformados em arte pincelada após pincelada,
que a Bienal Naïfs do Brasil tem o prazer de mostrar.
Danilo
Santos de Miranda
Diretor Regional do SESC de São Paulo

A
colorida e rica arte dos Naïfs de volta ao Sesc
Coincidindo
com a chegada da primavera, as cores invadem e embelezam novamente o SESC
Piracicaba. Não as cores da natureza viva, mas sim as cores vivas,
alegres e exuberantes das ricas obras dos artistas ingênuos ou naïfs,
muitos deles conhecidos, outros nem tanto; alguns iniciantes, outros veteranos.
Centenas
de artistas de Estados do norte ao sul do País, que enviam as suas
obras para Piracicaba com a intenção de mostrar a sua arte
e participar de um evento que consideram de grande importância e
no qual acreditam. A Bienal Naïfs do Brasil, realizada pelo SESC,
é um acontecimento que representa muito na caminhada artística
dos naïfs brasileiros.
O interesse
cada vez mais crescente dos artistas tem levado os organizadores a adotar,
de forma criteriosa, o recurso da seleção para que, no final,
possam ser mostradas as obras mais expressivas, criativas e originais.
O Brasil tem uma infinidade de excelentes e bons artistas que utilizam
a linguagem ingênua ou primitiva como forma de expressão
artística.
Entretanto,
devemos reconhecer que nem tudo o que é criado ou produzido tem
o mesmo peso, a mesma riqueza ou os mesmos predicados qualitativos. Por
esse motivo, recomendamos sempre aos artistas a especial atenção
em criar obras exclusivamente para o evento, evitando a escolha de trabalhos
já prontos ou de duvidosa qualidade plástica, apenas com
o intuito de tentar participar.
O texto
subscrito pelos integrantes do júri de Seleção e
Premiação esclarece muito bem os mais variados atributos
que estão presentes na criação de uma obra de arte,
às vezes até admirada pela técnica e beleza, mas
que fica a desejar frente a outra que se percebe mais pura e autêntica.
O artista
plástico dito naïf ou ingênuo é geralmente um
autodidata que se expressa plasticamente de maneira instintiva, espontânea
e original. Não está preocupado com conceitos, deixando
aflorar naturalmente a sua sensibilidade, os seus devaneios oníricos,
as suas emoções e as experiências adquiridas no seu
meio sociocultural, registrando de forma marcante e peculiar as situações
fantásticas e inusitadas, assim como os acontecimentos simples,
singelos, humorísticos e, até mesmo, trágicos.
Não temos qualquer dúvida em afirmar que a riqueza e a evolução
dos artistas ingênuos são fatos evidentes, nos dias de hoje.
O que eles aspiram e necessitam é mais espaço, mais apoio,
mais oportunidades, mais admiradores e, acima de tudo, mais
reconhecimento.
Oportunidade,
como a da 7a Bienal Nacional de Santos, que reservou um segmento especialmente
para a arte naïf, com obras integrantes do acervo do Museu Internacional
de Arte Naïf, do Rio de janeiro; reconhecimento como aconteceu nos
módulos Arte Afro-Brasileira, Arte Indígena e, principalmente,
Arte Popular da Mostra do Redescobrimento, que privilegiou, como autênticos
criadores, cerca de 30 artistas ingênuos, alguns deles já
falecidos e outros ainda em franca atividade e participantes desta Bienal.
As obras selecionadas para esta quinta edição da Bienal
Naïfs do Brasil compõem um panorama bastante diversificado
do que está sendo produzido pelos artistas brasileiros. Excetuando-se
os artistas já destacados pela premiação que receberam,
dezenas de nomes significativos da arte naïf estão presentes
na mostra, como Alcides da Fonseca, Américo Modanez, Angélica
Munari, Camilo Tavares, Clóvis júnior, Conceição
Silva, Daniel Firmino, Darcy da Cruz, David Sobral, Edson Lima, Gilvan
Bezerril, Helena Coelho, Ignácio da Nega, Iwao Nakajima, Juca (Ovídio
Melo), Luiz Cassemiro, Olímpio Bezerra, Orlando Fuzinelli, Paulina
Pinsky e Suene Santos, entre vários outros.
Sete
importantes e consagrados artistas são os convidados para participação
especial: Elza 0. Souza, Gerson de Souza, Henry Vitor, Iracema Arditi,
lvonaldo de Melo, Izabel de Jesus e Ranchinho (Sebastião Theodoro).
A Sala Especial, desta feita, foi reservada para Waldomiro de Deus, referência
obrigatória em qualquer compêndio de arte naïf, pelo
conjunto de sua obra e pela sua trajetória artística.
Com
toda a certeza, cada visitante irá gostar das obras em exposição.
Basta ter bons e afinados olhos para ver e um grande e receptivo coração
para sentir.
Antonio do Nascimento
Técnico do SESC / Pesquisador de arte Naïf

Sobre
o que vimos o no que acreditamos
Como membros do Júri
de Seleção e Premiação da quinta Bienal Naïfs
& Brasil, resolvemos privilegiar uma expressão artística
na qual se detecta inventividade, espontaneidade e originalidade, evitando
reafirmar certas características e comportamentos estereotipados
que habitualmente integram a chamada "arte naïf".
A verdadeira arte
não é feita a partir de fórmulas predeterminadas.
Mesmo que dotados de uma técnica excelente, certos trabalhos nos
pareceram menos interessantes por repetirem elementos de uma sintaxe prevista
dentro da linguagem "primitiva".
Evidentemente, esse termo não conota qualquer idéia de primariedade.
Trata-se, ao contrário, de um estilo autônomo, rico, vibrante,
pleno de encantamento.
Foi o que procuramos
descobrir no conjunto de obras oferecidas a vocês nesta Bienal.
Aline
Figueiredo, Antonio do Nascimento, Katia Canton, Olívio Tavares
de Araújo, Paulo Klein
júri da Bienal Naïfs do Brasil

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