Dr.
Das, baixista do Asian Dub Foundation, assim
resumiu sua visita ao Brasil:
"O que sentimos no Brasil foi que
muita gente desse país entende o potencial
que tem a música e a arte em geral
para motivar as pessoas e transformar suas
vidas. O cinismo da Grã Bretanha, onde
muitos acreditam que "a música
nunca vai transformar nada", provém
de uma visão muito estreita do que
é a "mudança". A viagem
ao Brasil reforçou nossas razões
para nos envolvermos com a música e
continuarmos engajados, pois a música
é a maior forma de comunicação.
"
Durante sua turnê, a banda londrina
Asian Dub Foundation apresentou-se para mais
de 15,000 pessoas, tocou com muitos músicos
brasileiros e comunicou-se com pessoas de
todas as classes socias. Em Recife o grupo
tocou no Festival Abril Pro Rock, em São
Paulo no SESC Belenzinho, e no Rio, no Canecão.
A turnê terminou em Belo Horizonte,
no Festival Eletronika. Compartilharam o palco
com bandas brasileira como O Rappa, Nação
Zumbi e Marcelo D2. Lançaram o projeto
MPB-BPM em grande estilo, e fizeram muitos
contatos musicais - justamente o que se busca
com este projeto. Entre os pontos altos da
turnê, destacamos:
Visita
a Vigário Geral
Quase todas as 500 favelas do Rio convivem
com a violência, mas a favela de Vigário
Geral vem sendo particularmente atingida
pelos conflitos trazidos pelo tráfico
de drogas.
Para um grupo como o ADF, preocupado com
direitos civis, justiça social e
combate ao racismo, o Afro-Reggae, banda
local de Vigário Geral, foi a parceria
perfeita. Há seis anos o Afro-Reggae
está na linha de frente do trabalho
social, oferecendo aos adolescentes uma
alternativa em relação ao
tráfico de drogas que combina várias
formas de expressão cultural com
iniciativas educacionais e de geração
de empregos.
A idéia inicial era que a ala educacional
do ADF - ADFED - fizesse uma oficina para
apresentar aos jovens da favela as mais
novas formas de tecnologia musical, e inspirá-los
a utilizá-las com seus ritmos locais.
Mas ao assistir a um impressionante espetáculo
improvisado pelo Afro-Reggae, o baixista
da ADF, Dr. Das, declarou: "Vamos cancelar
a oficina! Não temos nada para ensinar
a vocês. Nunca vi nada tão
poderoso como os ritmos que esta garotada
está criando. Essa música
é uma fonte poderosíssima
de transformação."
A
idéia original de uma oficina musical
se transformou numa jam session onde a ADF
e o AfroReggae tocaram juntos. O resultado
foi uma mistura inspirada em samba, reggae
e batidas eletrônicas, com a banda
britânica experimentando os incríveis
instrumentos de percussão do AfroReggae
e os brasileiros com as mãos na parafernália
digital do ADF. No dia seguinte o ADF convidou
o AfroReggae para dividir o palco na Bunker
- convite também feito à Nação
Zumbi, com quem o ADF vem fazendo intercâmbio
musical desde a sua volta ao Reino Unido.
Em São Paulo, o ADF vibrou com a
batucada tradicional do samba dos Meninos
de Morumbi, projeto educacional que utiliza
a música para enriquecer a vida de
mais de mil meninos e meninas carentes da
cidade. Depois de um show que entusiasmou
a platéia, os Meninos fizeram uma
jam session com o ADF. A mistura de estilos
quebrou todas as barreiras de linguagem
e cultura entre os músicos - um show
inesquecível para todos que tiveram
a sorte de assistir.
Para
mais informações sobre a turnê,
leia o diário de viagem ao Brasil
que o ADF colocou no seu site:
www.asiandubfoundation.com/brazil.html
(somente em inglês).
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