Um dos principais eventos de artes cênicas do país, a MITsp acontece de 13 a 23 de março e traz espetáculos com temas que questionam o olhar para o envelhecimento, perdas, migrações, violência, entre outros. A Mostra contempla a participação de artistas nacionais e internacionais nas atividades de seus quatro eixos principais: Mostra de Espetáculos, Ações Pedagógicas, Olhares Críticos e MITbr – Plataforma Brasil. Nesta edição, as unidades do Sesc Pompeia e Vila Mariana recebem atividades da Mostra.
A MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo realiza sua décima edição em 2025 entre os dias 13 e 23 de março, ocupando diversos espaços e teatros da cidade de São Paulo. A programação conta com uma abertura de processo e quatro espetáculos internacionais, uma estreia nacional, cinco obras na MITbr – Plataforma Brasil, dois grupos convidados e uma diversa grade de oficinas, debates e conversas ao longo desses onze dias. O evento também homenageia o artista brasileiro Antonio Nóbrega. O espetáculo VAGABUNDUS, de Idio Chichava – com inspiração no ritual de dança do povo Makonde, que vive em Moçambique e países vizinhos – faz a abertura dia 13 de março, no Teatro do Sesi – SP (Av. Paulista, 1313, Jardins, São Paulo, SP).
As obras desta edição da MITsp mostram a fidelidade com o pensamento de manter o diálogo com questionamentos e provocações de nosso tempo. Os espetáculos trazem olhares sobre envelhecimento, perdas, desejos, migração e resistência. Com artistas reconhecidos em suas linguagens e trabalhos inéditos no Brasil, o teatro, a dança e a performance ocupam a cena nos espetáculos selecionados, alguns combinados à música.
A Artista em Foco deste ano é a coreógrafa e performer nora chipaumire, nascida no Zimbábue. Vencedora de quatro prêmios Bessie e do prêmio Trisha Mckenzie Memorial, a artista apresenta no Sesc Pompeia dois trabalhos: Dambudzo, instalação inspirada pelos significados literais e filosóficos da palavra dambudzo – “problema” em xona, uma língua bantu –, além de evocar ideias de pensadores africanos como Dambudzo Marechera (1952-1987); e a abertura de processo intitulado acontinua – um obituário, um manual para uma vida vivida perseguindo a VIDA, feito a partir de um convite da MITsp. Nora buscou nesse work in progress o “agora” e o “vivo” como opções possíveis para a criação, em que as “experiências se tornam músculos, respiração, passos, arqueamento das costas, o conhecimento é compartilhado através da proximidade com outros corpos”, nas suas palavras.
Mohamed El Khatib retorna à Mostra com um trabalho com oito idosos em cena, não-atores, moradores de casas de repouso, a maioria octogenários e nonagenários. A Vida Secreta dos Velhos é fruto de sua pesquisa nesses locais e questiona se o envelhecimento marca o fim do desejo sexual e desafia ideias formadas ao longo dos anos sobre a terceira idade. O espetáculo estará em cartaz no Sesc Vila Mariana.
O coreógrafo moçambicano Idio Chichava traz para esta edição Vagabundus, com inspiração no ritual de dança do povo Makonde, que vive em Moçambique e países vizinhos. Os treze performers dançam e cantam músicas tradicionais e contemporâneas de seu país para abordar os processos migratórios e seus múltiplos significados pelo prisma do corpo.
Da América do Sul, Gaivota, do diretor argentino Guillermo Cacace, passou por importantes festivais na França, Espanha, Holanda, e, no fim do ano passado, esteve em cartaz em Nova York. Vem conquistando críticas importantes com sua livre adaptação do dramaturgo Juan Ignacio Fernández para a obra do russo Anton Tchekhov (1860-1904). Ele traz cinco atrizes em cena, sentadas ao redor de uma mesa revelando, de forma íntima, histórias de amores não correspondidos, de sonhos que se despedaçam ao serem realizados e dores que se acumulam.
Este ano, a Mostra Internacional de Teatro de São Paulo homenageia o multiartista brasileiro Antonio Nóbrega. Nascido no Recife, ele integrou, a convite do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014), o grupo de música instrumental Quinteto Armorial. Ao longo de sua carreira, recebeu diversos prêmios, como o Shell de Teatro, o APCA e o Conrado Wessel. Em 1992, fundou o Instituto Brincante ao lado da esposa, a atriz e bailarina Rosane Almeida. Nesta edição, apresenta Mestiço Florilégio, trabalho multidisciplinar assinado por ambos, que reúne canções, interpretações instrumentais, cenas teatrais, cinematografia e coreografias criadas e interpretadas pela dupla ao longo de 40 anos dedicados à cultura popular brasileira.
Criada em 2018 como um dos eixos da MITsp, a MITbr – Plataforma Brasil promove a internacionalização das artes cênicas brasileiras. A cada edição, curadores independentes selecionam projetos de teatro, dança e performance, destacando a diversidade regional e temas urgentes. Este ano, a curadoria de Ave Terrena, Kenia Dias e Jay Pather escolheu trabalhos de vários estados, evidenciando a diversidade e excelência da cena brasileira.
A MITbr – Plataforma Brasil selecionou para esta décima edição da MITsp os seguintes trabalhos: Repertório nº 3, de Davi Pontes e Wallace Ferreira (RJ); Baculejo, do Coletivo Riddims | Encante Território Criativo (CE); Quadra 16, de Cris Moreira (MG); Parto Pavilhão, de Aysha Nascimento, Jhonny Salaberg e Naruna Costa; e Graça, do grupo Girandança (RN).
Wallace Ferreira, Artista em Foco desta edição da MITbr, é também conhecida como Patfudyda – coreógrafa, performer e artista visual. Formada pela Escola Livre de Artes da Maré e pela EAV Parque Lage, venceu os prêmios ImPulsTanz – Prêmio Jovens Coreógrafos (2022) e FOCO ArtRio (2024). Nesta edição, além de se apresentar ao lado de Davi Pontes, também dará uma oficina.
A décima edição apresenta dois trabalhos convidados que fazem parte da mostra periférica: tReta, uma invasão performática, do Original Bomber Crew (PI) e Reset Brasil, do grupo Estopô Balaio (SP).
Cosmopercepções da Floresta é um encontro das culturas indígenas na Amazônia (Tukano e Uitoto), Mata Atlântica (Tupinambá, Guarani e Maxacali) e território Sápmi na Finlândia (Sami), que se dá a partir do corpo e da música e sua importância para esses diversos entendimentos de mundo. Trabalho de João Paulo Lima Barreto, Sandra Nanayna, Larissa Ye’padiho Mota Duarte (Tukano), Anita Ekman e Renata Tupinambá em colaboração com Sunna Nousuniemi.
O coreógrafo Alejandro Ahmed apresenta um novo trabalho com o Balé da Cidade de São Paulo, companhia do qual é diretor artístico, Réquiem SP, em parceria com outros corpos estáveis do Theatro Municipal, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Paulistano, sob regência de Maíra Ferreira, com composições do romeno György Ligeti e do músico eletrônico canadense Venetian Snares (Aeron Funk).
No eixo de Ações Pedagógicas, a curadoria de Alexandra G. Dumas, professora e pesquisadora em Teatro, traz atividades com artistas da Mostra e outros convidados/as. São oficinas, rodas de conversa e trocas de experiências realizadas de forma gratuita para o público.
Olhares Críticos, com curadoria da pesquisadora, transfeminista e escritora Helena Vieira apresenta uma programação com possibilidades e desafios para o futuro do teatro e do nosso tempo. Para tanto, a programação conta com encontros e conversas com convidados de visões plurais e complementares.
MITsp – Mostra Internacional de Teatro de São Paulo – 10ª Edição.
13 a 23 de março de 2025
Venda de ingressos
A partir de 25 de fevereiro no site da Mostra.
Para os espetáculos que acontecem no Sesc Pompeia e no Sesc Vila Mariana você também pode adquirir pelo app Credencial Sesc SP ou nas bilheterias das unidades do Sesc SP.
Programação completa no site www.mitsp.org
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